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Meat substitutes: uma tendência arrebatadora de mercado

O mercado de alimentos utilizados em substituição à carne deve crescer a uma taxa de 6,8% ao ano até 2023, quando então deve atingir o patamar de 6,5 bilhões de dólares, de acordo com um recente relatório da MarketsandMarkets.

crescimento deste mercado é facilmente percebido entre os consumidores. Particularmente, não raro encontro colegas antes carnívoros fervorosos que agora se declaram vegetarianos. Podemos elencar alguns fatores que justificam o fato. Dentre eles, eu destacaria: a busca por alimentos ditos mais saudáveis (e aqui se incluem também alimentos orgânicos, GMO-free, sem lactose, sem glúten, dentre outros) e a preocupação acerca do bem-estar animal.

Estive no fim do ano passado na maior feira de alimentos e bebidos do mundo. A Anugaocorre de dois em dois anos em Colônia, na Alemanha, e reuniu, em 2017, cerca de 7.400 expositores e 165.000 visitantes. A feira contrastava dois galpões inteiramente dedicados a 907 expositores provenientes da indústria da carne, em cerca de 55.000 m­2, a 11.000 m­2 abrigando 250 expositores de produtos orgânicos. Convenhamos, uma bela proporção para um mercado emergente. Outro número interessante é o de que, em média, 30% dos expositores declararam possuir produtos que figuram nos tópicos: veganos, saudáveis e funcionais, vegetarianos e/ou orgânicos, de acordo com um comunicado oficial da feira.

 

A gigante Anuga, na Alemanha, em 2017. Fonte: arquivo pessoal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Enquanto isso, na seção da feira denominada Anuga Trend Zone, foram apresentadas, pela consultoria Innova Market Insigths as 10 maiores tendências observadas no ano de 2017 para o setor. No topo da lista figuravam: Clean Supreme e Disruptive Green. Aqui, por Clean Supreme, entende-se produtos com rótulos limpos e claros: com menos ingredientes, mais naturais e com informações mais acessíveis e transparentes. Disruptive Green diz sobre a tendência do uso de vegetais na alimentação, reforçando a tendência de crescimento do mercado de produtos mais saudáveis.

Top Ten Trends 2017, apresentado na feira Anuga pela Innova Market Insigths. Fonte: arquivo pessoal.

Aliás, em um rápido passeio investigativo em um supermercado local, me deparei com prateleiras e prateleiras de produtos veganos, lactose-free e glúten-free, dentre outros. Me chama bastante atenção a tendência de produtos veganos simulando produtos tradicionais a base de carnes: embutidos, hambúrgueres, almôndegas. Me pergunto sempre se é este realmente o desejo dos consumidores: consumir uma mortadela de soja? A julgar pelo número de produtos deste tipo, imagino que sim. Ou seria apenas a criatividade das indústrias que está muito limitada aos conceitos tradicionais?

 Produtos que simulam cárneos ganham espaço rapidamente nas prateleiras. Fonte: arquivo pessoal.

A busca pelo saudável tem realmente tirado até mesmo empresas tradicionais da sua zona de conforto. É o caso, por exemplo, da gigante PepsiCo. A empresa tem investido pesado na reformulação de seus salgadinhos, diminuindo, por exemplo, a quantidade de sódio. Além disso, tem desenvolvido novos produtos ditos mais saudáveis. Quarenta e cinco por cento da receita mundial da marca já vem de alimentos denominados nutrition foods. É o que diz uma reportagem veiculada recentemente na revista IstoÉ Dinheiro. Aqui, mais uma vez a inovação entra em cena. No Brasil, a empresa passou por uma série de transformações internas e inaugurou, no ano passado, um dos seus sete centros globais de inovação. Segundo o CEO no Brasil, João Campos, “A inovação não se expressa só no produto. Tem de estar presente em tudo que fazemos e a nossa equipe precisa ser formada por pessoas únicas, que tragam autenticidade para as conversas e decisões corporativas”. A fala vai de encontro ao que discuti em um artigo recente, sobre o verdadeiro papel da inovação nas empresas.

Falando em inovação, surgem por aí as chamadas “carnes limpas”, produzidas em laboratório a partir de culturas celulares (veja aqui um artigo sobre isso). Barrinhas de cereais a base de insetos, como gafanhoto, já estão inclusive no mercado. Não muito distante de nós, a startup mineira Hakkuna tem investido na ideia. Seriam esses produtos agradáveis ao paladar dos consumidores? Teriam o apelo saudável, natural? Estariam satisfazendo o desejo de uma produção mais sustentável?

Essas são apenas algumas das perguntas que serão respondidas nos próximos anos. Mas, uma coisa é certa: a demanda por este mercado existe, mostra crescimento e não deverá ser ignorada pelo mercado mundial de alimentos.

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