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É possível reestabelecer a confiança na carne brasileira?

Acompanhamos nos últimos dias uma extensa cobertura midiática a respeito da Operação Carne Fraca. Deflagrada no dia 17 de março, a Operação visou combater um esquema de corrupção onde alguns fiscais agropecuários recebiam propina para liberar, sem fiscalização, produtos de determinados frigoríficos.

As acusações, baseadas em áudios telefônicos captados durante mais de dois anos de investigação, incluem a utilização de carnes proibidas em produtos, utilização de ácido ascórbico para maquiar carnes podres para a venda, reembalagem de produtos vencidos, entre outras práticas ilegais. A Operação executou 309 mandados judiciais em seis estados e no Distrito Federal.

O caso teve grande repercussão internacional. A ausência de acusações e evidências detalhadas no começo permitiu lapsos na comunicação entre a Polícia Federal e os veículos de comunicação e mídia, que acabaram divulgando informações genéricas, pouco assertivas, que causaram pânico nos consumidores em todo o país. Alegações de fraude nos produtos se espalharam nas redes sociais e as empresas citadas na Operação viram suas marcas serem repudiadas e ridicularizadas na web.

 

Desinformação causou repercussão nacional. Memes nas redes ridicularizaram as marcas.

 

As reações da indústria foram imediatas. As ações das empresas citadas caíram vertiginosamente em algumas horas. Até mesmo frigoríficos que não estavam presentes na investigação se viram prejudicados com a repentina má reputação da carne brasileira. No fim de semana após a Operação, as ações da JBS, BRF (citadas), Marfrig e Minerva (não citadas) acumularam perda de R$ 7,72 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Reuters. O mercado entrou em crise. De repente, alguns dos maiores importadores de carne brasileira do mundo suspenderam o comércio entre as nações e criaram embargos para a carne brasileira.

 

Suspensão de importações e outros embargos à carne brasileira

 

Alguns dos mais importantes importadores de proteína animal brasileira determinaram embargos para o produto nacional. Entre eles, Coreia do Sul, União Europeia, Suíça, Irã, Rússia, China Chile e Egito – os três últimos sendo responsáveis por importar cerca de 40% de toda a carne exportada pelo Brasil.

Além das suspensões das importações, em alguns países, que decidiram manter o comércio com frigoríficos que não foram citados na investigação, foi determinado um regime de reinspeção absoluta dos produtos. Foi o caso dos Estados Unidos, onde o Departamento de Agricultura (USDA) determinou reinspeção em 100% da proteína importada do Brasil, incluindo testes para Salmonella e Listeria, e avisa: “Tomaremos medidas imediatas para vetar a entrada de qualquer produto brasileiro nos Estados Unidos se algum resultado demonstrar razões para preocupação sobre Segurança do Alimento.”

Confiança abalada

 

Os acontecimentos e a divulgação da Operação resultaram em clima de extrema desconfiança por parte do mercado. A União Europeia, que aderiu ao embargo às carnes brasileiras, enviou ao Brasil seu Comissário para a Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis. “Não se trata de proibições. Se trata de confiança, da saúde das pessoas, segurança alimentar, confiança no comércio, responsabilidade e eficiência”, disse Andriukaitis, após visita à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio.

A desconfiança também chegou ao consumidor. Manifestações em canais da internet, por parte dos consumidores, demonstraram insatisfação até mesmo diante das ações de Comunicação aplicadas à tentativa de abrandar a crise. “Não somos tolos de acreditar em propagandas na TV”, diz um consumidor em uma rede social da BRF, “Vocês não tem nenhuma credibilidade.” Já na rede da JBS, um consumidor diz: “Esse discursinho de assessoria de imprensa não convence.”

 

Consumidores utilizaram as redes sociais para demonstrar insatisfação.

Ações favoráveis à indústria indicam recuperação

 

Após o furacão da primeira semana da divulgação da Operação Carne Fraca, novos fatos e acontecimentos trazem esperança à indústria.

 

Divulgação do relatório da PF: esclarecimento das acusações

 

Foi apenas em 22 de março, cinco dias após a Operação, que o relatório completo da Operação Carne Fraca foi divulgado. Com as informações mais detalhadas em mãos, a mídia pode começar a esclarecer os fatos e, a população, a entender melhor quais eram as acusações direcionadas a cada empresa e quantos fiscais estavam envolvidos.


Problemas pontuais, consequências catastróficas

 

Foi percebido que, diante do quadro geral do mercado e dos fiscais brasileiros, os problemas encontrados eram pontuais e diversos.

Para o público, a pontualidade dos problemas trouxe um certo alívio e aplacou parcialmente a desconfiança generalizada. O pânico gerado pelo panorama de corrupção dentro das instituições arrefeceu ao que tornou-se divulgado o quanto as transgressões, tanto das indústrias quanto dos fiscais, eram falhas muito mais pessoais do que institucionais.

Para a indústria, foi o exemplo perfeito de como a negligência com a área da Qualidade e Segurança dos Alimentos pode ter consequências catastróficas. Após bilhões perdidos e danos profundos à reputação de grandes marcas, ficou clara a necessidade de uma maior proximidade da alta diretoria com a Gestão da Qualidade e a importância de ações preventivas mais robustas em todo o processo.

 

Críticas ao sensacionalismo da mídia: desacreditação

 

Outra consequência da revelação do relatório completo da Operação Carne Fraca foram as críticas direcionadas à Polícia Federal e ao tratamento que os veículos de comunicação deram aos fatos.

As ações da PF foram tidas como precipitadas e, as da mídia, como sensacionalistas. Começaram a surgir algumas manifestações de apoio às empresas, e a desconfiança do público se voltou parcialmente para a relevância da atuação dos órgãos públicos.

 

Críticas à conduta da Polícia Federal na divulgação da Operação Carne Fraca


Queda dos embargos

 

Aos poucos, os embargos e restrições impostos contra os produtos brasileiros vêm caindo. A China foi um dos primeiros países a retomar a importação. Em nota, o Ministro Blairo Maggi afirmou: “Nos últimos dias, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Itamaraty e a rede de embaixadas do Brasil no exterior trabalharam incansavelmente para o êxito que se anuncia hoje.”

O comissário da União Europeia para Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, declarou no dia 29 que a União Europeia estuda medidas mais rigorosas para a entrada de produtos brasileiros em seus países-membros, em busca de retomar as importações.

“Precisamos de um sistema de controle oficial e independente. Precisamos contar com plena confiança e montar um esquema de resposta imediata caso haja uma nova crise. A decisão de introduzir medidas mais rigorosas pela UE está em estudo. Estamos fortalecendo as verificações documentais, físicas, em todos os planos de interesse. E sugerimos que o países-membros verifiquem cada produto que entrar sem seu território”, disse. “Isto tem a ver com implementar um sistema de rastreabilidade e de vigilância que vai nos apoiar em campo. Solicitamos aos nossos parceiros comerciais que introduzam as mesmas regras e os mesmos requisitos. Atuamos em estreita interação com eles. Certamente, avançaremos em nossas cooperações nestes moldes”, completou.

 

A importância da Gestão da Qualidade: Colocando as informações em perspectiva para a alta direção

 

A lição que fica para a cadeia produtiva de alimentos é a seguinte: a Gestão da Qualidade, que por muito tempo foi vista como custo, é, na verdade, questão de estratégia.

A aplicação de um programa robusto de autocontrole é fundamental para o resguardo das empresas de alimentos, seja a indústria, o varejo ou o food service. Além disso, é fundamental que as informações dos resultados sejam acompanhadas de perto, tanto por gestores locais quanto pela alta diretoria, permitindo que falhas e vulnerabilidades sejam identificadas com antecedência.

Essa é a única forma de se precaver e criar uma gestão preventiva de riscos, evitando que ocorram casos como o da Carne Fraca, que resulta em prejuízos bilionários, tanto financeiros como jurídicos e de reputação.

Imagem: neweurope.eu

 

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