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Alimentação fora do lar: tendências e implicações

São novos tempos, e juntamente com as mudanças da sociedade, estão ocorrendo mudanças nos hábitos alimentares dos brasileiros. Uma das tendências que mais vem ganhando força é a da alimentação fora do lar.

As transformações nos influenciadores de compra e consumo favorecem o crescimento do mercado da alimentação fora do lar e exigem inovações das empresas desse segmento. O consumidor está mais disposto a gastar dinheiro, menos disposto a perder tempo e com muito mais informação disponível. Suas demandas tornam imperativo que a indústria ofereça mais praticidade, oferta de alimentos diversificados e qualidade do produto oferecido, entre outras coisas.

De acordo com o gestor de projetos do Instituto ITPC, Lino Bianchini, a melhoria da renda estimula o consumo de refeições fora de lar. Esse tipo de gasto, conforme o especialista, corresponde, em média, a 38% do total das despesas mensais dos brasileiros, patamar próximo a dos países ricos. Já uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra avanço de 50% no faturamento de empresas do setor de alimentação entre 2007 e 2010.

Segundo a Abrasel, o setor de Alimentação Fora do Lar fechou 2016 com faturamento de R$154 bilhões. Uma pesquisa realizada pela associação aponta que no ano passado, bares e restaurantes tiveram crescimento nominal de 3,47% contra perdas reais da ordem de 3,75% (6,29% de inflação), em comparação com 2015 (R$149 bilhões – 7% de crescimento nominal e 3% de queda real devido a inflação de 10%).

Gráfico tedencias de alimentação fora do lar

Razões para o aumento da prática de alimentação fora do lar

Uma série de fatores vem influenciando o aumento de brasileiros que se alimentam fora do lar. Alguns deles são:

 

Crescimento da população

O número de pessoas no planeta vem aumentando consideravelmente, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A população mundial subiu 170% de 1950 até 2009, apresentando uma taxa anual de crescimento de 1,70% e estima-se que chegaremos em 2025 com 8,1 bilhões de pessoas no planeta.

 

Urbanização

Não somente o aumento da população explica possíveis alterações na demanda, os níveis de urbanização também geram pesados impactos na comercialização de alimentos. Em regiões com maior desenvolvimento econômico, os indivíduos migram para áreas urbanas na busca por melhores condições de vida e oportunidades, ou seja, essa parcela da população deixa de produzir seu próprio alimento ou parte dele, incorporando imediatamente a parcela de consumidores que demandam alimentos de melhor qualidade, principalmente entre processados e industrializados. Dessa forma, a forte tendência mundial de crescimento exponencial da população urbana, superior a rural, pressionará, cada vez mais intensamente, a demanda futura por alimentos.

 

Estrutura familiar

Segundo o IBGE, com base em dados da Síntese de Indicadores Sociais de 2012, a proporção de casais sem filhos apresenta crescimento constante, fortalecendo ainda mais a tendência de queda no número médio de filhos por mulher. Outra tendência fica clara, a de jovens casais, sem filhos ou com até 2 filhos, consumindo alimentos processados e industrializados de rápido preparo.

 

Estrutura etária

Ainda segundo o estudo apresentado pela ONU em 2012 e 2008, em relação ao envelhecimento, em 1950 a idade média da população era de apenas 24 anos, enquanto atualmente aproxima-se dos 29 anos. O mesmo estudo estima que em 2020, a média será superior a 31 anos e que a população acima de 60 anos representará 13,4% do total, contra 8,1% observados em 1950. Esses dados mostram uma tendência de consumo, ou seja, as taxas indicam uma alteração no perfil das necessidades nutricionais dos produtos serem consumidos para cada faixa etária abordada.

 

Mulher no mercado de trabalho

Em taxas exponenciais, ano após ano, as mulheres vêm se destacando no acesso a vagas, que antes eram exclusivamente reservadas a homens. Isso contribui com o aumento de demanda para alimentação fora do lar e a compra de alimentos prontos para o consumo.

 

Renda

A renda interfere quantitativamente e qualitativamente na busca por alimentos. De forma geral, excluindo nichos de mercado e demais particularidades, crescentes níveis de renda levam, em um primeiro momento, ao aumento da quantidade consumida e, logo após, a uma melhor seleção dos produtos adquiridos, ou seja, a busca por alimentos de melhor qualidade. Nesse primeiro estágio são adquiridos alimentos mais restritos a fontes nutricionais menos onerosas, como cereais e produtos básicos. A partir de então, adquirem-se alimentos mais complexos e industrializados, como derivados do leite, carnes de aves e demais fontes de proteína animal.
Após o estágio 1 e 2 mencionados acima, chega-se aos níveis elevados de renda, em que essa parcela dos consumidores passa a considerar características além das nutricionais. São aspectos relacionados à sustentabilidade no processo produtivo, boas práticas de fabricação, preservação ao meio ambiente, produtos que gerem baixos níveis de resíduos, regionalização e certificações, por exemplo.

 

Influenciadores aimentação fora do lar

Tendências de mercado e como se destacar no setor

Algumas tendências vem se provando as mais relevantes na escolha do consumidor para alimentação fora do lar. Veja a seguir as principais delas e as dicas para o setor de food service:

 

Saúde e bem-estar

Segundo o IBGE, 38% foi o crescimento da expectativa de vida da população brasileira e mais de um terço dos brasileiros terá mais de 60 anos em 2060 – atualmente, a parcela é de 11%.

Muitas descobertas científicas que relacionam doenças e o tipo de dieta das pessoas vêm possibilitando o surgimento e aumento de segmentos de consumo como alimentos funcionais, nova geração de produtos naturais e para dietas de controle de peso.

Dicas para o setor:

  • Adaptar seu estabelecimento e os cardápios para atender o público preocupado com a alimentação saudável.
  • Estabelecimentos de nichos (vegetarianos, comida dietética, orgânica e outros).
  • Contar com a presença de nutricionistas para auxiliar na criação dos cardápios.
  • Criar um canal de relacionamento com o cliente, por exemplo, cardápios informativos, mídias sociais e outros.

 

Experiências gastronômicas

A renda domiciliar per capita teve um crescimento real acumulado de 80% impulsionando o setor de refeições fora do lar.

Dicas para o setor:

  • Valorizar as experiências gastronômicas.
  • Criar interesse pela combinação de alimentos e bebidas.
  • Utilizar novas texturas nos alimentos.
  • Aumentar a oferta de produtos e sabores regionais.
  • Promover experiências gastronômicas, transformando pratos tradicionais em versões diferenciadas a exemplo do gourmet.
  • Os polos gastronômicos são importantes formas de lazer e entretenimento.

 

Conveniência e praticidade

A estrutura das famílias brasileiras vem sofrendo mudanças significativas com o crescimento do número de domicílios de pessoas solteiras e de casais sem filhos, conforme dados disponibilizados pelo IBGE. Alguns aspectos valorizados são atendimento rápido, estabelecimentos com localização acessível e facilidade de pagamento.

Dicas para o setor:

  • Apostar em serviços de delivery.
  • Criar opções de embalagens de produtos que possam ser consumidos no trânsito.
  • Verificar a viabilidade de criar porções menores para atender famílias pequenas ou pessoas solteiras.
  • Para cidades menores ou bairros, apostar em estabelecimentos com grande variedade de produtos de diversas marcas, com cardápios e serviços diferentes.

 

Sustentabilidade e ética

Cada vez mais os consumidores estão preocupados com o impacto ao meio ambiente. A atenção voltada para a economia de recursos, principalmente naturais, faz com que as empresas busquem engajamento na produção ou comercialização de produtos ou serviços sustentáveis.

Lembre-se: o apelo à sustentabilidade, sozinho, não faz um produto “verde” vender bem. Além de conquistar o consumidor com os benefícios ambientais é preciso atraí-lo com uma estética elaborada e ações pragmáticas, como o controle de qualidade usado como ferramenta de venda.

Dicas para o setor:

  • Evitar o desperdício usando 100% dos alimentos nas receitas.
  • Contribuir para o desenvolvimento regional buscando fornecedores locais a exemplo da agricultura familiar.
  • Ter coleta seletiva.
  • Destinar corretamente os resíduos.

 

Desafios para o setor de alimentação fora do lar

Com tantas mudanças acontecendo em um ritmo acelerado, a indústria tem desafios importantes a enfrentar.

Ser mais produtivo e eficiente

Nesse momento, a revisão dos processos da empresa é uma das mais importantes necessidades. Quais pontos do negócio podem passar por melhorias? De quais maneiras é possível reduzir os custos, ajudando a melhorar as contas no final do mês?  Esses cuidados, no entanto, devem ser centrados no objetivo de ser mais produtivo e não devem comprometer a qualidade do serviço.

Observar novas oportunidades e ficar atento às mudanças

É importante estar sempre atento aos modelos de negócios e canais de comercialização que surgem a todo momento. Com eles, podem vir novas alternativas para o seu empreendimento. Fazer parte de festivais gastronômicos ou ter edições do seu restaurante em formato de food truck é uma forte tendência do mercado, atraindo, sobretudo, o público jovem.

Também há diversos sites ou mesmo aplicativos que funcionam como plataformas de promoções. Utilizar esses serviços, ou até criar o seu formato, pode ser uma boa maneira de atrair clientes.Também não deixe de ficar atento aos comentários e recomendações compartilhados em redes sociais e blogs.
Além de funcionar como propaganda, eles servem ainda de termômetro para identificar os pontos que são bem recebidos pelos clientes e aqueles que podem melhorar.

tendencias de alimentação fora do lar no brasil

Preocupar-se com a segurança alimentar

Em momentos de crise, é imprescindível reduzir ao máximo situações que ofereçam risco ou tragam qualquer tipo de instabilidade para o negócio. Por isso, esteja ainda mais atento aos cuidados com a limpeza e a organização do seu restaurante, já que essa é também uma preocupação crescente dos consumidores – cada vez mais exigentes.

Para atestar a segurança alimentar do seu negócio, é importante garantir que ele atenda sempre às exigências das normas definidas para o setor. Clique aqui para sabre mais sobre elas.

Além disso, a proatividade é fundamental. No cenário moderno, agir apenas de forma reativa com medidas reparadoras não é suficiente; é necessário tomar a frente e definir fortes programas preventivos para garantir a segurança do alimento. Com o crescimento da alimentação fora do lar, cada vez mais pessoas são atingidas a cada vez que há uma falha na segurança de um estabelecimento, o que aumenta o risco e a responsabilidade legal da indústria de alimentos.

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